12 Jun COMO E PORQUE ME TORNEI RACIONALISTA – 1ª -PARTE
Etelvina dos Santos Pinto
É minha primeira intensão, neste reduzidíssimo depoimento, esclarecer como brotou em Belém a semente do Racionalismo Cristão, e como e porque me tornei racionalista.
A terra é uma escola que oferece um mundo de ensinamentos. O importante é conhecermos essa verdade e despertamos, para assim tirarmos todo o proveito das lições postas à nossa frente.
Foi o que procurei fazer quando tive conhecimento do Racionalismo Cristão – a verdadeira Doutrina de Cristo.
Não é fácil para mim descrever-vos, da forma que eu desejava, como nasceu em Belém esta Doutrina. No entanto, procurei fazê-lo da forma simples, porque minha instrução não me pode dar margem a expandir-me como era meu desejo.
Meus amigos, foi me dado o privilégio de ter conhecimento desta ciência, para assim eu encontrar um meio de esclarecer o meu espírito, que vivia sempre em dúvida sobre as seitas diversas existentes neste mundo, cada qual com sua filosofia e seu protetor. Foi dos mais felizes aquele momento em que tive a ventura de ouvir um parente meu falar com tanto entusiasmo e convicção no Racionalismo Cristão de tal forma que senti logo algo impossível de explicar no momento, por me sentir confusa diante da verdade que ele me descrevia com tanto entusiasmo e vontade imensa de que eu a conhecesse também.
Esse que eu ouvia falar causava-me admiração porque eu o conhecera tempos atrás como um materialão e até – para que não confessá-lo? – Um homem completamente ignorante e grosseiro, desculpe-me a expressão. Mas naquele momento, ouvindo-o falar daquela forma, tão clara, tão cheia de convicção o que era, o Racionalismo Cristão nasceu logo em mim o interesse de ter conhecimento dessa beleza espiritual de que ele tão bem soube ser o intérprete.
Sua demora entre nós foi curta, por estarem ele e sua esposa de passagem por nossa cidade, rumo a Manaus. Deu-me um livrinho de “Limpeza Psíquica”, daquele simples e que todos conhecem, o qual não encerrava ainda todo o conhecimento que hoje temos a felicidade de possuir em nosso filiado. Ao entregar-me esse pequeno guia do Racionalismo Cristão, disse-me estas palavras: “Lê prima, e se te interessares em conhecer a verdade de que falei, escreve ao Presidente do Centro Redentor no Rio de Janeiro, Sr. Antônio do Nascimento Cottas, para a Rua Jorge Rudge nº 121, Vila Isabel que ele tudo te orientará. Desejo de que te esclareças.”
Fiquei meditando em suas palavras tão sensatas e cheias de entusiasmo para que eu despertasse, para que brotasse em Belém a semente do Racionalismo Cristão. Tudo isso causou-me imensa alegria. Alegria essa cujo significado eu não estava em condições ainda de avaliar.
O certo é que fiquei logo muito interessada em escrever ao Presidente. E assim concretizei minha vontade com imenso interesse de receber breve resposta, para que melhor ficasse ciente dessa verdade de que foi interprete meu primo, Sr. Antônio Morais, atualmente residindo em São Paulo.
Naquele tempo não havia a facilidade que hoje há de uma resposta imediata às cartas que enviamos para outras regiões. O Correio ainda era via marítima e não se contava ainda com a rapidez do avião que hoje cruza os ares em todas as direções. Mas assim mesmo, em menos de quinze dias, eu tive a alegria de receber a primeira carta, que veio satisfazer os anseios de minha alma. Foi do dia 23 de março de 1935 que com dedicada e esclarecedora resposta, recebida eu as primeiras orientações da Casa Chefe, escrita por esse pioneiro do bem que nos sabe falar à alma com tanta clareza e convicção – Sr. Antônio Cottas.
Minha alegria foi imensa, tão grande que não encontro palavras para descrever o que senti. Naquele momento eu estava bastante doente com pertinaz impaludismo e uma fraqueza generalizada, a ponto do médico dizer que meu irmão Jacob dos Santos Pinto que precisaria muito cuidado e que mandasse para onde eu pudesse me restabelecer, porque senão uma tuberculose seria o que me esperava.
Tais fatos, em verdade, não deveria vir ao caso. Mas torna-se necessário citá-los para melhor ficar divulgado como agi desde o momento em que recebi os esclarecimentos do Sr. Antônio Cottas. Pareceu-me que nada mais me atemorizava. Pus-me em campo com a vontade que até hoje conservo para seguir as instruções de tratamento prescritas pelo Astral Superior, assim como o esclarecimento de meu espírito que tanto começava a interessar-me.
Meu dedicado e muito amigo mano Jacob, hoje nosso abnegado Presidente tudo fazia pela minha saúde e por saber meu estado não media sacrifícios para que eu tivesse remédios.
E assim ele e sua abnegadíssima esposa procuravam dar-me o conforto que eu precisava dentro de suas possibilidades, tanto que eu sempre lhes fui grata e o serei eternamente.
Apesar de encontrar-me muito combalida da matéria naquele tempo, o meu desejo era já o de encontrar o que meu espírito almejava: a verdade. Mas a verdade real e não aquela cheia de mistificações como pregam muitos intrujões.
Desejo deixar aqui bem patente que a maior ventura, o mais glorioso prêmio que eu podia receber até hoje foi conhecer a verdade para poder enfrentar as vicissitudes da vida. Então nessa hora de maior iluminação para meu espírito, comecei a compreender que a vida era outra e que deveria começar por corrigir-me para viver as duas vidas, como nos ensinam os princípios racionais e científicos cristãos.
As cartas de orientação do mestre eram continuas em respostas as minhas investigações, e foi assim que comecei a conquistar a evolução espiritual que considero eterna.
Todo aquele que tem a ventura de conhecer esta Doutrina, não deveria deixar passar a oportunidade que se lhe oferece de se esclarecer e assim aproveitar melhor a vida, em bem da Pátria e da família.
Confesso que não me foi fácil assimilar logo esta Doutrina, porque na verdade ela é uma ciência, e bem profunda. Mas meu desejo em conhecer estes belos princípios era tão grande, que eu pedia constantes explicações e orientações ao digno Presidente Sr. Cottas. E este mestre me ia elucidando com obras e orientações que atendiam o desejo do meu espírito investigador.
Já não era simples interessem de tratar a matéria que e animava, mas sim esclarecer a alma para que ela pudesse dar um pouco de si àqueles que sofrem. Assim fui estudando sempre para melhor ajudar a divulgar a Verdade.
Outro ideal, então passou a me interessar: ver meu irmão Jacob aceitar essa Doutrina espontaneamente.
Depois de um ano, que eu ia melhor de saúde e já um pouco mais esclarecida comecei a desejar que esse hoje é o nosso Presidente, ele representava um pai para mim pois tudo fazia com sua bondosa esposa para me proporcionar conforto dentro de suas possibilidades pudesse sentir interesse pela Doutrina. Mas que haveria eu de fazer para consegui-lo? Muitas e muitas vezes deixava eu propositadamente em cima de sua escrivaninha comunicações e cartas doutrinárias, grifando certos pontos, objetivando despertar-lhe a atenção.
Observava sempre para ver se ele se interessava pela leitura. Realmente ora ele lia, ora faltava o volume como interessado, enquanto eu vibrava sempre e continuava esperando seu despertar. Quantas e quantas vezes eu estava às oito horas a fazer minhas irradiações e fluidificando a água e ele olhava sem compreender o significado do que eu estava fazendo, mas se acaso fosse chegando onde eu estava, parava em silencio, respeitosamente.
Continua na próxima semana
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